Escrever é preciso, publicar não é preciso

Foi um longo percurso, décadas de estudos, pesquisas, experimentações e publicações, para passar de um contista e cronista para um escritor de romances. Isso se refletiu na minha escrita e na minha vida, o olhar focado foi dando lugar a uma perspectiva mais ampla, com elementos diversos que iam se juntando para formar um cenário mais complexo.

De autor passei a organizador de antologia, depois editor, depois professor de escrita criativa e de volta a autor, porque a evolução se dá em círculos, formando uma espiral que nos leva para cima e para longe, sem se afastar tanto do centro, mas incorporando coisas importantes que vamos conquistando ao longo da vida, incluindo os tombos, as decepções, os erros e as superações necessárias. “Escrever é preciso, publicar não é preciso” parafraseando Fernando Pessoa ao relembrar o filósofo e historiador Plutarco que se referia ao general romano Pompeu quando teve que motivar os seus comandados a levar alimentos para as províncias distantes do Império Romano, enfrentando as tormentas e os piratas, com sua célebre frase “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

Mais importante que fazer publicações é ter boas histórias para contar e motivar as pessoas, fazer com que tenham diversão e informação de forma lúdica. Fazer refletir, apresentar novas perspectivas, contar experiências marcantes e apontar soluções onde parecem não haver esperanças. Essa sempre foi a minha missão como autor, organizador, editor ou professor, levar boas histórias para o público e fazer crescer os talentos brasileiros nesse mundo tão competitivo. Hoje tenho inúmeras publicações em antologias e coletâneas, em sites e blogs, em livros didáticos e publicações independentes. Construí a saga SOBREVIVENTES com três dos quatro livros já lançados e um com previsão de lançamento para o próximo ano. Escrevi histórias independentes, naveguei pela literatura policial, pelo romance Hot, pela literatura Fantástica e pela Ficção Científica. Criei personagens marcantes como o investigador particular Douglas Cavannas e o fiz desvendar dos crimes obscuros até tramas sobrenaturais. Construí uma coletânea base de uma saga sobre robôs com o livro SÍMILE – FEITO HUMANOS que reúne não apenas contos escritos por décadas, como apresenta as bases da saga SÍMILES. Construí em paralelo o PROJETO MULTIVERSO, mais que uma saga, uma saga feita para unificar sagas que estou desenvolvendo, com romances independentes e personagens e situações que transitam e influenciam outras obras.

São décadas de estudos, formulações, experimentações de modelos literários diferenciados e criação de modelos híbridos, juntando e remodelando, desenvolvendo um Universo Fantástico que foge ao maniqueísmo do bem contra o mal, dos absolutos, e busca o contato constante com a realidade para mostrar que o mundo é aquilo que ajudamos a criar, com ações e omissões, com erros e acertos, com a justiça com a qual nos engajamos e com a qual seremos julgados em algum momento. Onde isso vai parar? Que coisas ainda serão desenvolvidas? Que sucessos e fracassos esperam para além da curva do horizonte? Realmente não sei, mas enquanto houver capacidade física e intelectual para criar, é nisso que vou investir os meus dias e criar o meu legado para todos que desejarem compartilhar comigo dessa aventura de viver. E com a generosidade dos meus amigos e leitores, vamos navegar por lugares onde jamais alguém esteve antes e encontrar aventuras que precisam ser vividas, porque temos a certeza de que: Escrever é preciso, publicar não é preciso. Nos vemos no próximo livro.


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