Cap 04 – Longe, muito Longe, dentro de mim.

January 8, 2018

 

“O inferno te chama. Eu vim para te mostrar o caminho.”

 

          Era um mar de areia, tão perigoso quanto o mar de onde viera há poucos dias. Parecia desabitado, mas ele sabia que não era assim. Criaturas povoavam as suas profundezas, saindo à noite ou em rápidas incursões durante o dia. O resto do tempo enterradas sob os grãos seculares.

          A caravana avançava lentamente, levando suprimentos e utensílios para serem vendidos. Os corpos cobertos por panos para reter a umidade e proteger do sol caustico durante o dia e do frio enregelante da noite.

          Ele se lembrava, quantas vezes transitara por aquelas paisagens belas e terríveis? Jurara nunca mais voltar ali, mas estava de volta.

          Quase perdera as esperanças, mas o destino lhe sorrira novamente, os dentes podres do destino estavam sempre a lhe sorrir, como a zombar dele.

          Seguira a pista dada por Giacomo em busca do “Grego”, o mercador de escravos. Não fora difícil sondar o submundo dos cais do porto, quando se sabe onde procurar as línguas se soltam facilmente diante de dinheiro ou de uma faca quase a lhe perfurar os olhos.

          Quase fora a loucura quando soube que o maldito tinha sido engolido pelo mar em uma de suas viagens de “negócios”.

          Como encontrar alguém de quem não sabia nada? Apenas um cacho dourado a lhe guiar, a necessidade de encontrar.

          Quantos anos se passaram? Já deveria se uma moça, se tivesse sobrevivido. Sua esperança era a de revigorar a memória do Grego, mas esse elo havia se rompido com o naufrágio.

          Talvez fosse melhor assim...Quase desistira, quando o destino se interpôs entre ele e a morte, como sempre.

          Ouvira dois homens conversando sobre o famoso “Harém Dourado” do sultão Al Akhbar Hain, onde belas Hurins loiras desfilavam suas belezas e talentos para os hóspedes mais afortunados.

          Em uma terra onde a pele escurecia sob o sol das gerações, mulheres loiras eram uma raridade maior que a água.

          Fez contato com os homens e descobriu que faziam parte de uma caravana mercante que levaria suprimentos e mercadorias para o sultão. Foi fácil arrumar emprego entre os mercadores. Braços fortes eram sempre bem vindos em uma caravana, os bandidos eram apenas uma das ameaças que assaltavam essas andanças.

          Agora estava próximo. Uma pista que poderia dar em nada. Quem poderia acreditar que sua busca fosse frutífera? Estava fadado ao fracasso desde o início. Mas não tinha mais nada a perder. Ou tinha?

          Quando a noite já caia novamente, conseguiram chegar aos muros da fortificação que protegia a cidadela construída em volta de um oásis.

          As casas brancas, rústicas, se amontoando como caixas empilhadas desordenadamente, contrastavam com o suntuoso palácio no final da longa rua.

          A caravana avançava lentamente, não havia pressa no deserto, tudo era lento como o arrastar dos dias, a eternidade rodeando a todos como um manto lúgubre. As paixões humanas recolhidas sob camadas e camadas de crostas protetoras.

          Descarregaram as mercadorias que foram examinadas pelos funcionários do palácio. Escravos musculosos as levando para os seus destinos finais enquanto outros negociavam o preço. Pechinchar era uma necessidade cultural, nunca se aceitava o preço inicial, mesmo que contratado previamente, porque isso seria dizer que a mercadoria não tinha valor. Uma ofensa a quem vendia e a quem comprava. E ofensas eram punidas com a morte, na maioria das vezes. Quanto mais hostil o ambiente, maior deveria ser a cortesia que mascarava a violência da vida.

          Acertado o preço, recebido o pagamento, poderiam usufruir da hospitalidade do sultão e se acomodar nos aposentos para viajantes, onde descansariam e se recuperariam para a viajem de retorno.

 

FIM!!!

 

 

 

 

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