El Diablo - Cap 03 – Infernos

January 1, 2018

 

“O inferno te chama. Eu vim para te mostrar o caminho.”

 

 

          O Marinheiro levantou da rede onde fingia dormir. Os outros estavam em suas redes balançando com a maré e dormindo profundamente ou em catres fedorentos cheios de pulgas e percevejos.

          A única luz vinha do disco lunar que lançava seus raios prateados por sobre as superfícies deixando-as fantasmagóricas.

          Vestiu as surradas botas e ajeitou a eterna touca que lhe cobria os cabelos e caminhou entre os corpos adormecidos até o convés do navio.

          Apenas alguns marujos cuidavam de vigiar e manter a nau no rumo certo. Já era o terceiro dia de viagem. Enrolou um cigarro e pegou a lamparina para acendê-lo.

          Pareceu se desequilibrar e deu uns passos cambaleantes antes de conseguir acender o cigarro e colocar a lamparina no lugar.

          Deu duas tragadas no cigarro observando o oceano negro. Uma luz piscou por três vezes na escuridão.

          Ele jogou o cigarro no mar, cumprimentou o colega que fazia a ronda e seguiu até onde havia escondido uma caixa.

          Abriu a caixa e retirou as roupas negras que estavam guardadas e trocou pelas que usava, vestindo-se apressadamente. Arrancou a touca libertando os longos cabelos brancos e pos em seu lugar o chapéu largo. Por fim, abriu o estojo de veludo e retirou dele uma dentadura feita com dentes de lobo. Era sua mais perfeita arma. Uma obra prima para implantar o medo e atacar sem usar as mãos. Havia decidido a sua sorte em várias batalhas e lhe valera o apelido que passara a usar.

          Encaixou os dentes falsos em sua boca e sorriu. A hora de El Diablo chegara.

          _ Ei, você, parado ai.

          Diablo lançou a faca tão rapidamente que o homem que fazia a ronda nem percebeu que morria.

          Arrastou o cadáver e o escondeu em um canto escuro. Pegou uma das lamparina e jogou no depósito de carga iniciando um incêndio.

          Correu por entre as sombras em direção a cabine do capitão e ficou aguardando, vigiando o guarda sonolento que se postava à porta.

          _ Fogo...Fogo...Corram...Acordem todos...Fogo....

          Outro rondista descobrira as chamas no porão de cargas. Vários marinheiros, ainda sonolentos, correram para ajudar a apagar o fogo que já se alastrava pelo madeirame podre.

          O guarda não sabia o que fazer, ir ajudar e abandonar o posto? Isso daria morte certa para ele.

          A porta da cabine abriu e um homem corpulento e flácido, vestido com um longo camisolão de dormir saiu por ela.

          _ O que está acontecendo, guarda?

          _ Dom Giacomo! Parece que está havendo um incêndio lá atrás, senhor.

          _ E o que está fazendo aqui, imbecil. Vá lá ajudar antes que esta pocilga vá a pique.

          O guarda saiu correndo para ajudar os marinheiros e Dom Giacomo entrou novamente.

          Ia fechar a porta quando uma sombra se arremessou para dentro, derrubando-o no chão.

          Diablo passou os olhos pela cabine, a espada desembainhada e pronta para ação, mas além do gordo Dom Giacomo e ele, não havia mais ninguém lá.

          Voltou até a porta e passou a enorme trava de madeira, trancando-a.

          _ Você? Não é possível...Você está morto.

          Diablo se aproximou com a longa espada em riste, os dentes afiados brilhando na luz da lamparina, um brilho mortal como o faiscar do ódio no olhar.

          _ O inferno te chama, seu porco desgraçado. E eu vim para te mostrar o caminho.

          Giacomo se levantou rapidamente distanciando-se da espada que apontava para ele.

          _ Não vai conseguir escapar, basta-me gritar e todo o navio vai cair em cima de você e vai se arrepender do dia em que nasceu.

          _ Não serei eu quem irá se arrepender do dia em que nasceu. Faça as pazes com o seu Deus, pois para onde vou te mandar não poderá mais vê-lo.

          Uma explosão se fez ouvir no lado de fora e o navio foi sacudido.

          _ Piratas. Homens às armas. Piratas atacando....

          Diablo sorriu, ao ver Giacomo começar a urinar sobre si mesmo.

          _ Eu sou Diablo, e hoje você vai fazer tudo o que eu mandar, mas espero que resista bastante antes disso. Vou adorar despedaçá-lo aos poucos...

          E avançou sobre o homem que já tremia de medo e tentava se lembrar de alguma oração. Mas ha muito que abandonara o seu Deus para poder chamá-lo.

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          O dia amanheceu e o navio ainda queimava lentamente. Os piratas haviam dominado rapidamente a tripulação desprevenida e concentrada em apagar o incêndio.

          Fora um massacre rápido, os poucos sobreviventes trancados no porão onde dormiriam o seu ultimo sono.

          Toda a carga e riquezas que o navio transportava fora levada para o outro navio, mais veloz.

          Da cabine de comando o Capitão pirata dava ordens aos seus marujos.

          _ Afastem o navio e bombardeiem sob a linha d’água. Não quero sobreviventes. Deixem que Netuno os leve para o inferno.

          Ajeitou o chapéu sobre os cabelos sujos e limpou os restos de sangue seco de sua enorme barba avermelhada. E foi ao encontro do homem de negro que observava tudo indiferente.

          _ Então conseguiu o que queria?

          _ Ainda não. Ainda tenho algo muito importante para fazer.

          _ Foi um bom Botim. Vai querer a sua parte?

          _ Não! Mikonnos, Pode ficar com a minha parte se me fizer um favor.

          O Pirata sorriu com os dentes podres e chegou mais perto de Diablo.

          _ Vou tentar ajudá-lo, meu amigo. Pelos velhos tempos e por ter me dado esse presente tão saboroso.

          _ Preciso que me leve até um certo porto, na Ásia Menor. Tenho que resgatar o meu passado.

          _ Vai voltar ao porto de escravos? Pensei que já havia conquistado a sua vingança.

          Diablo olhou para ele diretamente nos olhos. Havia um fogo interno que fez até o sangrento pirata estremecer.

          _ Ainda não. Ainda tenho contas a acertar.

          _ Está bem, mas mantenha-se longe dos homens. Eles ficaram intranqüilos com o que viram na cabine do capitão. Quem era aquele desgraçado?

          _ Apenas uma alma desgarrada do inferno que eu mandei de volta.

          _ Espero que consigam juntar os pedaços dele antes de o jogarem nas caldeiras ferventes. Não sobrou muita coisa...

          _ Diga aos seus homens que não se preocupem comigo...se mantiverem distancia segura.

          _ Está bem. Vou beber um pouco para comemorar esta noite. Bebe comigo?

          _ Não! Quero ficar um pouco a sós. Ainda tenho muito o que planejar.

          O Capitão Pirata assentiu e se retirou. Havia poucos homens no mundo que ele temia de verdade. Diablo era o pior de todos.

          O homem de preto pegou o medalhão do Dragão de um dos bolsos e o abriu. Sophie, era o nome da dona daqueles cachos. O nome que a mãe lhe dera antes de morrer, antes dela ser enviada para os portos de escravos.

          Deveria ser uma mulher agora.

          Diablo temia que estivesse morta, mas temia mais ainda que estivesse viva e nas mãos dos mercadores de escravos.

          Havia destinos piores que a morte, ele os conhecia muito bem.

          Mas precisava descobrir o que acontecera com a sua Sophie, e quem lhe tivesse causado mal iria se juntar a Giacomo no inferno.

          Uma explosão lançou pedaços de madeira para o mar. O navio de Giacomo naufragava lentamente mergulhando nas águas negras como a alma de alguns homens.

          No horizonte um disco de fogo tentava rivalizar com o brilho gelado dos olhos de Diablo. O dia estava apenas começando...

 

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